sexta-feira, 5 de março de 2021

05 de Março - Dia do Filatelista Brasileiro

 





O Dia do Filatelista (05 de março) é celebrado aqui no Brasil desde 1969. A data, escolhida durante um congresso da Comissão Estadual de Filatelia em São Paulo para homenagear os colecionadores de selos e peças postais, faz alusão ao dia em que foi baixado o Decreto que organizava os serviços de Correios no Brasil, pelo então imperador D. Pedro I. Pelo fato de haver impulsionado o funcionamento dos Correios brasileiro, que depois veio a ser tornar o segundo país no mundo a emitir selos postais, é que essa data se reveste de importância para os integrantes deste hobby apaixonante!

Parabéns🎉 Amigos Filatelistas! 👏🏼👏🏼👏🏼

Nesta data, congratulamos a todos aqueles que se dedicam à arte do colecionismo de selos, reunindo emoção e sensibilidade, que contemplam o mundo pelas imagens contidas nas peças postais! 🤩

Esperamos que essas pequeninas obras de arte continuem a ser sua melhor fonte de entretenimento, sigam a inspirá-los a conhecer novas culturas, novos personagens, novas e velhas histórias do Brasil e do Mundo, fazendo novos amigos pelo caminho!

✨São os votos da Diretoria da SNFC aos nossos diletos sócios, extensivos a todos os amigos que a Filatelia nos proporcionou reunir! ✨

domingo, 14 de fevereiro de 2021

A Ondulada Moeda do Império do Vai-Não-Volta: os 10 cents do Ceilão de 1951 e o Fim do Império Britânico

 Paulo Avelino

colecionismo@paulo.avelino.nom.br

 

1O cents Ceylon 1951 - frente

Esta moeda de bronze chama a atenção mesmo entre moedas mais valiosas em qualquer coleção, quando não por sua forma: ela escapa da monótona circularidade e se diverte em ondulações, na frente em volta do homenageado, “King George the Sixth”, em efígie e em palavra e, no verso, ostenta o valor 10 cents, o país Ceilão (Ceylon) e a data 1951, além de inscrições na língua do país.Conta uma história que pode ser lida como uma cebola de significados, a conter várias camadas. Pode ser vista quase como uma interrogação existencial: por que essa moeda existe, já que, facilmente, ela poderia não existir? Por que essa efígie, que cai em interrogação mais detalhada, que poder cunhou essa moeda, para mediar os pagamentos de qual comunidade, principalmente, por que naquele ano, e não cinco anos antes ou quinze depois?

A todas essas perguntas uma moeda pode responder.

Quanto à nossa moedinha ondulada, pode-se dizer que sua história começa três décadas antes, em 1921. Nada aconteceu em 1921, a não ser um fato que não se sabia na época: foi o período de maior extensão territorial do Império Britânico. Sua Majestade Britânica comandava quase um quarto do território mundial e da sua população – era o chamado “Império onde o sol nunca se punha” pois em algum lugar de seu território fazia sol.

Apenas três décadas depois a situação mudara. De fato naquele 1921 o Império já sofria de falta de recursos para enviar tanta tropa para lugares tão vastos. E a Segunda Guerra Mundial só acelerou o processo de apodrecimento, com um Reino Unido vencedor porém financeiramente quebrado. Pedaços do Império começaram a se desligar.

Os portugueses e depois os holandeses invadiram a antiga ilha da Taprobana ou Ceilão, e depois deles no final do século XVIII vieram os ingleses, que estabeleceram a colônia do Ceilão. E como colônia os cingaleses permaneceram por mais de um século, até que o antes todo-poderoso império começou se abrir pelas costuras.

No dia 4 de fevereiro de 1948 a antiga Colônia foi substituída por um país independente com status de Domínio dentro do Império. Ainda havia muita interferência britânica mas tinha direito a uma série de autodeterminações, entre elas o seu próprio Banco Central, que foi estabelecido a 28 de agosto de 1950.

Esse Banco Central cunhou as primeiras moedas do novo país soberano – entre essas os nossos ondulados 10 cents. Marca a preocupação pela continuidade – tanto os velhos dominadores como a nova elite do país pareciam querer deixar claro que nada mudara muito – daí a efígie do monarca britânico George VI, o qual parecia somatizar os problemas do Império. Homem de pouco mais de 50 anos mas atormentado por uma pletora de doenças, morreria no ano seguinte de problemas cardíacos. Sua má saúde não foi imitada por sua filha Elisabeth, que até hoje se mantém no trono. Em 1972 o Ceilão tornou-se república e mudou o nome para Sri Lanka, em outra transição.

E ficou a moedinha ondulada, um testemunho minúsculo da decadência de um Império.

sábado, 5 de dezembro de 2020

Relutante Final: os selos de 1956 da África Equatorial Francesa

 Paulo Avelino

silva@paulo.avelino.nom.br

 Selos afirmam um poder. Mais especificamente, afirmam o Poder do Estado. A hiper-comercialização da filatelia gerou os selos privados personalizados por encomenda e também os selos feitos na prática apenas para venda para colecionadores temáticos. Isso complicou o quadro. Mas na época que vemos neste artigo selos eram essencialmente um artefato estatal.

Durante o Século XIX os Estados europeus mais ricos destruíram a organização política da África e criaram outra, a dividir o continente em colônias. De tantas colônias que tinha, a França juntou algumas em unidades maiores. Em 1910 reuniu as colônias do Gabão, Congo (francês), a atual República Centro-Africana e o Chade em uma federação, a África Equatorial Francesa.


Anos depois a dita Federação, o Colonialismo em si e a própria República Francesa batiam pino. Em parte pela mudança das circunstâncias. As guerras autofágicas da Europa em 1914-18 e 1939-45 desnudaram as fragilidades do continente europeu. Não por coincidência logo depois da Segunda Guerra a França criou o Fundo de Investimento para o Desenvolvimento Econômico e Social, o FIDES (em 1946). Especializado em investimentos nas colônias, rebatizadas sob o nome de Territórios de Ultramar. Pouco adiantou. Os movimentos nacionalistas africanos se tornaram cada vez mais fortes.

Em 1956 a África Equatorial Francesa lançou uma série de selos, dos quais escolhemos dois. O selo de 10 francos e o de 200 francos deixam bem claro a quem pertence o Poder, através da sigla RF (République Française) e da silhueta do território francês no selo de menor valor.

O tema dos dois selos é o desenvolvimento. O selo de dez francos exalta a produção de algodão no Chade. É selo visualmente bem trabalhado, marcado por dois homens africanos atléticos nas laterais, o que orienta o olhar em diagonal descendente da esquerda para a direita a passar por plantações, a casa sede dessas plantações e uma flor de algodão. Ao longe, em solução pictórica típica da Renascença, uma ponte e um rio, no mínimo curiosos pois o Chade não possui grandes rios. Em contradiagonal, trabalhadores em fila depositam o algodão em uma pilha. E a sigla da organização que alegadamente tornara tudo possível, o FIDES.


O selo de 200 Francos figura um trabalhador em primeiro plano. Lembra certos selos de países socialistas na mesma época: no volante de uma máquina do progresso (o trator) o homem do presente mira resolutamente o Futuro. E em segundo plano (como que em um sonho do homem) aparece o Futuro – uma mistura de plantações muito próximas de fábricas entremeadas de postes de alta tensão e sobrevoadas por aviões.

A mensagem é clara – o colonialismo é necessário para ensinar aos povos da região como aproveitar suas riquezas para seu próprio bem.

Pouco adiantou. A África Equatorial Francesa se dissolveu em 1958 e depois cada um dos seus territórios se tornou país independente. Ficaram os selos, como sempre, os testemunhos de um poder e de uma época.

sábado, 13 de julho de 2019

Má Lembrança: o selo do Transkei de 1963



Paulo Avelino

Mostra um prédio contra um fundo verde, cercado por aura branca. De um lado a data (1963), do outro o valor (dois e meio centavos sul-africanos). Nos cantos de cima se posiciona o nome do Estado emissor, a República da África do Sul, em duas línguas, inglês e africâner.  Sóbrio, é dominado pelo nome Transkei, em geral desconhecido pelas gerações mais novas. E que encerra uma história de discriminação.

O Transkei estava destinado a ser um país nominalmente independente e naquele ano de 1963 se tornara região autônoma dentro do país-mãe, a África do Sul. O selo comemorava esse fato. Treze anos depois o Transkei adquiria sua independência.

Só que era tudo uma farsa. Que se encontrava em plano desde anos antes. Em 1948 o Partido Nacional voltou ao poder em eleições na África do Sul. Fanaticamente racista, aprofundou e criou um arsenal jurídico para a separação entre as raças e supremacia dos brancos do país. Estabeleceu leis proibindo casamentos entre pessoas de raças diferentes e obrigando a população a se registrar oficialmente de acordo com a raça. Parques, ônibus, hospitais, escolas e até bancos de praça passaram a ter avisos “só para brancos”. Era a política da segregação social radical, que passaria a ser conhecida pela palavra Apartheid.

O passo seguinte tentou separar as raças em regiões dentro do país. Para tanto dever-se-iam criar países, recortados do território da República. Esses países seriam destinados cada um a uma etnia. Transkei seria do povo xhosa, ao qual pertenceria Nelson Mandela. Esses países seriam conhecidos pelo nome de bantustões, hoje um qualificativo para independências falsas.

Pois os bantustões consistiam em formas de segregar o povo negro em certos territórios e tirar deles os direitos na África do Sul (pois lá eram oficialmente estrangeiros). Só que a pobre economia dos bantustões obrigava a população a trabalhar na África do Sul, enfrentando controles de fronteira e outras restrições. No caso do povo de Transkei, trabalhavam em minas no teoricamente país vizinho. Nenhum país do mundo jamais reconheceu a independência dos bantustões – só a África do Sul. Essas regiões autônomas, e depois denominados países, nunca tiveram autonomia real, não passando de marionetes dependentes da República Sul-Africana, apesar de uma ou outra rebeldia de algum dirigente.

A existência fictícia de Transkei e dos outros bantustões cessou em 1994, com o fim do regime de segregação racial, e não consta nenhum selo a marcar o seu fim, como esse pretendeu celebrar seu começo.

O selo retrata o parlamento de Transkei. Que se situava no edifício Bunga, construído décadas antes. Hoje tal prédio é o Museu Nacional Nelson Mandela. Uma construção que simbolizava a segregação entre raças hoje homenageia alguém cuja vida consistiu em construir a igualdade entre elas. Mais que boa ironia, pode ser um sinal de que a sociedade para mudar para melhor – desde que haja vontade para tanto.


domingo, 9 de setembro de 2018

SNFC RECEBEU LÚCIA TAVARES PARA FALAR DA ARTE E PROCESSAMENTO DO SELO.




Na manhã de domingo, 17 de agosto, a SNFC(Sociedade Numismática e Filatélica Cearense), recebeu a presença ilustre da artista plástica Lúcia Tavares. A artista aceitou o convite para falar sobre o processo da construção  selo, arte e sua finalidade, e peculiaridades, os caminhos de um belo processo visual.

Lucia Tavares que é cearense, mas que por anos residiu no rio de janeiro , lugar e marco inicial de sua carreira na produção artística dos selos no Brasil.Foram mais de 30 obras para filatelia brasileira,uma artista sensível , de multi construções temáticas. entre um dos mais emblemáticos, o selo em comemoração ao voo do concorde no rio de janeiro.

A sua arte contextualizada para o selo não foi aprovada, mas contemplado a outro colega de trabalho posteriormente, o que lhe coube também a muitos questionamentos sobre o futuro da nova era filatélica, agora mais informatizada, mais célere, mas menos minucioso do processo artístico.


Lúcia Tavares respondeu a alguns indagações de sócios e colecionadores presentes, e posteriormente a sociedade celebrou o encontro com um café da manha aos presentes no evento.







na foto Lucia Tavares exibe o belíssimo selo que não foi aprovado pelos correios.

sábado, 30 de junho de 2018

Invencível Vietnã: O Selo da Alemanha Oriental de 1969



Paulo Avelino

Unbesiegbares Vietnam – Invencível Vietnã (de 1969) faz parte de uma série de oito selos emitidos pela extinta DDR regularmente entre 1966 e 1973, com uma última emissão se dando em 1979. (DDR – Deutsche Demokratische Republik – a República Democrática Alemã). O emaranhado geopolítico mundial dos anos sessenta e setenta ocasionou esta pequena peça.

Tem fundo violeta com uma mancha esbranquiçada no meio. Significativa mancha – como uma luz de esperança a surgir. Na frente e emoldurado por ela, um casal, de feições orientais. Não por acaso, o ilustrador escolheu o amarelo como cor de seus rostos e da maior parte de seus corpos e roupas. Há outra cor – um azul militar. Como militar é a marcha decidida do casal, os fuzis que carregam pelas bandoleiras e os cinturões com caixas de munição. Têm mãos dadas, em afeto e em companheirismo bélico. Os cabelos dela esvoaçam, a sugerir o vento da luta ou da libertação. Ele usa um chapéu típico camponês.

Econômico em inscrições, como se a figura por si só já bastasse, o selo tem apenas o seu nome (Unbesiegbares Vietnam), a sigla do país emissor (DDR) e um valor um tanto incomum de 10 + 5. A moeda da DDR era o Marco, dividido em 100 Pfennig. Trata-se de um selo cujo uso implicava em doação. O valor de franquia era de 10 Pfennig, e 5 iam para doação.

A República Democrática Alemã principiou a série Invencível Vietnã em 1966. Seguiu-se uma emissão em 1968 e a partir daí em todos os anos até 1973. As próprias datas marcam o desenvolvimento da guerra que então se desenvolvia naquele país oriental. O Vietnã se via intermitentemente em guerra desde 1945, quando as tropas invasoras japonesas deixaram o país. Primeiro contra os franceses, depois em guerra interna. O país se encontrava dividido, em Vietnã do Norte, apoiado pelo bloco socialista, e Vietnã do Sul, capitalista. Dentro deste último ocorria a insurgência comunista, os chamados Vietcongs, fortemente apoiados pelo norte.

Gradualmente os Estados Unidos se envolveram em apoio ao Sul. Em 1965 o governo estadunidense começou uma campanha de bombardeios contra o Vietnã do Norte e a escalada do número de soldados dos EUA em combate. Observe-se que é apenas depois desta escalada que principia a série de selos. Em 1973 o Acordo de Paris entre os Estados Unidos e o Vietnã do Norte encerrou o envolvimento direto daquele primeiro país na guerra. Significativamente a última emissão regular se deu naquele ano. A guerra se encerrou em 1975 com a Vitória do Vietcong e do Vietnã do Norte.

No princípio de 1979 forças chinesas invadiram o Vietnã, agora reunificado. Depois de penetrarem em vários setores da fronteira, os chineses se retiraram semanas depois. Pode-se imaginar que foi esta a razão de uma última emissão de selos da série, em 1979. Principalmente se lembrarmos que a DDR era aliada da União Soviética, então rival da China.

O selo Vietnã Invencível de 1969 ilustra como os selos podem ser uma decorrência direta da geopolítica dos países.






sexta-feira, 20 de abril de 2018

SNFC RECEBE VERIDIANA BRASILEIRO NO CENTRO DE FORTALEZA.



Um dia nostálgico, assim se resume a ida de Veridiana Brasileiro neste domingo, dia 22 de abril no Parque das Crianças em Fortaleza a partir das 09 hora da manhã.

Ainda antes de saber sua profissão, otorrinolaringologista, Veridiana Brasileiro se apaixonou por colecionismo, e são muitas as coleções com o passar do tempo.

Começou na filatelia aos 15 anos, quando se associou aos Correios, e passou a se integrar nos encontros no Parque das Crianças e na EMCETUR aos domingos. Aí vieram moedas, canetas, cartões postais e brinquedos da década de 90. Mas foi nos últimos dez anos que sua paixão tomou uma direção maior, ganhou rumo e notoriedade, até conseguir um espaço no Museu do Ceará,  em exposição temporária, com sua coleção de mais de 250 obras de arte, das várias releituras do quadro de Monalisa, obra original do pintor renascentista italiano, Leonardo da Vinci.

A paixão veio também com fuscas, um dos carros mais emblemático da era automobilística. A otorrinolaringologista e colecionadora Veridiana Brasileiro se junta a muitos aficionados no Brasil com acervos particulares e de grande valia cultural, como as multicoleções de Ricardo Brennant, em Pernambuco, e Joseph Safra, em São Paulo.

O espaço no Parque das Crianças que receberá a colecionadora, é aberto ao público em geral , e o encontro começa as 09h da manhã com dirigentes da Sociedade Numismática e Filatélica Cearense presentes no local.






(fotos: acervo pessoal )