terça-feira, 23 de junho de 2015

XXII Exposição Luso-Brasileira LUBRAPEX 2016





a) TIPO - Exposição binacional (Portugal + Brasil).

b) PERÍODO - 26 de abril a 1º de maio de 2016.

c) LOCAL - Viana do Castelo, Portugal.

d) PAÍSES CONVIDADOS - Alemanha + Itália.

e) MOTIVO - Comemoração dos 50 anos da exposição luso-brasileira.

f) ORGANIZAÇÃO - Federação Portuguesa de Filatelia (FPF) e Associação de Colecionismo do Vale do Neiva, de Portugal.

g) NÚMERO DE QUADROS EXPOSITIVOS - Entre 1.000 e 1.200.

h) COMISSÁRIO DO BRASIL - Sr. FÁBIO FLOSI. Endereço eletrônico para contato: lubrapex2016@febraf.net.br.

i) REGULAMENTO PARTICULAR - Clicar em LUBRAPEX-2016.

j) BOLETIM Nº 1 - Será disponibilizado, em versão 'pdf', no início de julho/2015.

k) FORMULÁRIOS PARA INSCRIÇÃO - Serão disponibilizados no início de julho.

l) MAIS DETALHES SOBRE A EXPOSIÇÃO - Clicar em LUBRAPEX.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Guerreira Euforia - Os selos da “Série da Vitória”

Paulo Avelino


Departamento dos Correios e Telégrafos - DCT
Assinatura de Landry Salles
Major Landry Salles Gonçalves
Major Landry Salles
Um Brasil mais ingênuo [e possivelmente mais pretensioso] é o que mostram os selos da Série da Vitória, uma coleção de cinco peças encartadas em um folheto com baixos-relevos e folha de explicações emitida pelo Departamento dos Correios e Telégrafos em 1945. A pretensão talvez não fosse só do país. Comprei-a no leilão da Sociedade Numismática e Filatélica Cearense e dei pulos de alegria: na segunda página vi em elegantíssima caligrafia de caneta-tinteiro: Aprovo. Em 8/5/945. Landry Sales. Era o Diretor do DCT.

Alegria curta. Longe de ser o exemplar único que pensava, uma busca no Diário Oficial revelou que meu folheto era um entre 70 mil – das quais 30 mil em português. Com assinatura aparentemente única e tudo.

Série da Vitória - Selo da CooperaçãoLandry Sales Gonçalves lembra uma época em que o país pertencia aos oficiais de baixa patente. Nascido no Ceará, nos seus vinte e seis anos a chamada Revolução de Trinta chutou carcomidas estruturas de poder e colocou os tenentes como ele no lugar. Tornou-se interventor no estado do Piauí no qual teve o poder por vários anos. Nunca deixou de ser militar e pouco depois atingiu o posto máximo no DCT.

Série da Vitória - Selo da SaudadeO DCT na explicação do primeiro selo (Saudade) reivindicava pioneirismo: afirmava que pela primeira vez a palavra “saudade” é inscrita num selo, o que a tornará, dagora em diante, universalmente conhecida. Pode-se ver ao fundo a Igreja da Glória, no Rio de Janeiro.

O selo da Glória mostra um soldado da Divisão de Infantaria que o país enviou para a Frente italiana.
Os filmes há muito nos bombardeiam com a ideia de que o resultado da guerra deveu-se à bravura de louros estadunidenses com alguma vaga ajuda de ingleses bigodudos. O selo Vitória atesta que muitos países deram dinheiro e vidas para isso: veem-se nele as bandeiras de vitoriosos quase esquecidos como União Soviética, França e China - a qual hoje poucos lembram como atuante.
Série da Vitória - Selo da Glória


O selo Paz mostra uma austera senhora de barrete frígio a dividir o selo entre indústrias e campos cultivados – estes últimos talvez não por acaso a lembrar um cafezal.

Série da Vitória - Selo da PazO selo Cooperação mostra a rota de suprimentos da aviação aliada, ligando os centros industriais dos Estados Unidos ao resto do mundo pelo chamado Corredor da Vitória. A pequena autonomia dos aviões da época os obrigava a múltiplas paradas até o Oriente Médio: Miami, Porto Príncipe (Haiti), Porto Rico, Trinidad e Tobago, Georgetown (na então Guiana Inglesa), Belém, Fortaleza, Natal, ilha de Ascensão, Acra (hoje em Gana), Cartum (Sudão), e finalmente o Cairo no Egito. Pouco se lembra hoje da participação dos aeroportos do Nordeste do Brasil em tal esforço.

Série da Vitória - Selo da Vitória


Um país menor, sem dúvida – no qual oficiais de baixa patente podiam governar imensos estados. Também cioso de sua importância – colocando-se quase em pé de igualdade com as hiperpotências em suas querelas bélicas. A Série da Vitória nos traz um Brasil mais ingênuo, possivelmente mais pretensioso, e talvez possamos dizê-lo – mais feliz.

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Bibliografia:

Wikipedia pt. Landry Sales Gonçalves. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Landry_Sales_Gon%C3%A7alves#Governo_no_Piau.C3.AD>. Acesso em 07 fev 2015.

Diário Oficial da União de 13/07/1945. Disponível em <http://www.jusbrasil.com.br/diarios/2426269/pg-33-secao-1-diario-oficial-da-uniao-dou-de-13-07-1945>. Acesso em 07 fev 2015.

domingo, 3 de agosto de 2014

Livro: O Barroco no Reinado de Dom João V

Os associados da Sociedade Numismática e Filatélica Cearense receberam hoje o livro "O Barroco no Reinado de Dom João V - Arquitetura, Moedas e Medalhas", de Fernanda Gallas e Alfrdeo Gallas, editado pelo Instituto Itaú Cultural. Trata-se de doação do referido instituto, ao qual a SNFC agradece.

Colonial Confusão – o Centavo do Estreito

Paulo Avelino



Possui na frente a austera cabeça real e a inscrição Victoria Queen. No verso o número 1, a inscrição One Cent 1895 e Straits Settlements, Colônias dos Estreitos. É antiga na minha coleção e só dei a ela alguma olhada curiosa, e o pensamento de nunca tinha ouvido falar de tais Estreitos. Revela no entanto uma história do outro lado do Planeta.

Que começou no ano de 1511 quando Afonso de Albuquerque invadiu uma cidade portuária na que hoje é conhecida como Península Malaia. Era o Governador e Capitão-General dos Mares da Índia. O porto era a cidade de Malaca. O interesse português era óbvio: a geografia da região obriga a que todo o comércio entre China e Índia, e suas áreas circunvizinhas, passe por ali. Quem dominasse a região onde o mar se estreitava teria grande poder e lucro.

A região não tinha governo unificado. Dominavam-na uns inquietos sultões malaios, sempre lutando entre si e procurando aliança com poderes coloniais para superar uns aos outros.

Em 1641 veio a Companhia das Índias Ocidentais, holandesa. Tiraram os lusitanos pela força e, tal como estes, não se ocuparam em conquistar o interior, permanecendo só em Malaca e outros enclaves no litoral. Queriam não muito território mas muito dinheiro, e este vinha cada vez mais com o crescimento da mineração de estanho no interior do país e com o crescimento dos serviços nos portos. Estimulado pelo colonizador europeu, veio um influxo cada vez maior de chineses e indianos, causando uma mistura étnica que marca a região até hoje.

O desenvolvimento do capitalismo na Europa trouxe um novo poder: os ingleses. Em 1786 colocaram um pé na região, por um tratado pelo qual certo potentado local lhe cedia um porto chamado Penang. Durante as guerras napoleônicas os ingleses ocuparam a holandesa Malaca. Depois tiveram de provisoriamente devolvê-la, e então o governador inglês procurou um novo porto para compensar a perda, e o encontrou conseguindo que outro senhor local cedesse uma ilha que daria muito o que falar: Cingapura.

A disputa entre ingleses e britânicos cessou com um tratado em 1824, e estes unificaram quatro pequenos enclaves portuários (Malaca, Penang, Cingapura e depois Dinding) em uma colônia que denominaram Colônia do Estreito.


Colônia de comércio e passagem, foi pragueada desde o começo pelo uso de moedas de muitos países, e uma das lutas dos administradores coloniais foi sempre a de unificar o meio circulante. Em 1844 o Governo da Índia autorizou a cunhagem de moedas, com a denominação de dólar, dividida em 100 centavos. O governo colonial lançou em 1871 a primeira série com inscrição Straits Settlements.

A Colônia do Estreito não mais existe. Toda a confusão de cidades-porto e sultanatos do interior, dividida entre uma população de origem indiana, malaia e chinesa se unificou em 1963 em um país chamado Malásia. Exceto Cingapura, que constituiu outro país.

Toda essa história veio dessa moedinha de cobre na palma da minha mão. E ainda dizem que moedas não falam.

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Bibliografia:

Wikipedia en. Straits Settlements. Disponível em <http://en.wikipedia.org/wiki/Straits_Settlements>. Acesso em 03 ago 2014.

Wikipedia en. History_of_Malaysia. Disponível em <http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_Malaysia>. Acesso em 03 ago 2014.

 Wikipedia en. Straits dollar. Disponível em < http://en.wikipedia.org/wiki/Straits_dollar>. Acesso em 03 ago 2014.

Straits Settlements Coins History. Disponível em <http://www.obsoletecoin.com/2013/02/straits-settlements-coins-history.html>. Acesso em 03 ago 2014.

Wikipedia en. Afonso de Albuquerque. Disponível em <http://en.wikipedia.org/wiki/Afonso_de_Albuquerque>. Acesso em 03 ago 2014.







domingo, 29 de junho de 2014

A diluição da agenda: os selos da Nova República (1985-2010) – II/II

Paulo Avelino

A produção de selos da Nova República trouxe novos temas para a pauta filatélica, os quais antes se encontravam proscritos no todo ou em parte. Se entendermos os selos como cartões de visita do Estado, podemos perceber na época um esforço para o poder estatal se reformular, buscando uma nova relação com a sociedade.



Personalidades até então proscritas

O novo poder civil lançou selos homenageando pessoas que, por seu papel político e cultural, tinham sido ignoradas pela Ditadura Militar. Logo no segundo ano do novo regime este emitiu o selo Homenagem ao Presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976) (8/1986), prócer do regime político derrubado pela ditadura e marginalizado por esta.

No mesmo ano os Correios celebraram um intelectual contestador típico dos anos 1960, lançando o selo Homenagem a Glauber Rocha, Cineasta (1939-1981) (11/1986). O Estado sempre homenageara artistas com selos, mas nunca aqueles com uma postura anticonvencional na política e na estética, caso do artista baiano.



Presença de entidades e movimentos

A Nova República celebrou movimentos organizados que, em princípio, contestavam o status quo. É curiosa tal nova postura do poder: em vez da defesa fechada da sociedade atual, o poder, apesar de poder, se arvorou como aliado de atores que queriam mudar a sociedade. Isso ocorreu tanto quanto a atores atuais como através da homenagem a tais movimentos no passado. Na filatelia, isso ocasionou o lançamento do selo 15 anos do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua (7/2000) e também do Centenário do Fim da Guerra dos Canudos (9/1997).

Atividades pouco convencionais

A Nova República reformulou o conceito de homenagem aos esportes, deslocando-se da tradicional escolha de esportistas vencedores de competições internacionais para incluir também modalidades pouco ortodoxas. Sintomática é a série Esportes Radicais (6 a 8/2000) que celebrou o Alpinismo, a Asa Delta, o Skate e o Surf. Com exceção do primeiro, trata-se de esportes praticados especialmente por adolescentes de perfil em geral pouco condizente com a postura rígida que o Estado até então preconizara a seus heróis.

Presença pequena da Economia

A política econômica também se fez marcada. O selo 1º Aniversário do Real (7/1995) e o Mercosul (7/1997) celebraram iniciativas neste campo. Trata-se porém de uma presença discreta em relação ao período de 1955 a 1985.

Conclusão

Os paradigmas da produção filatélica da Nova República mudaram

muito em relação aos da Ditadura Militar. Valorizaram-se temas, autoridades e movimentos sociais até então ignorados ou proscritos.

A estratégia econômica quedou menos evidente na filatelia. Como se o novo poder não quisesse homenagear nos selos a ação estatal no rumo do desenvolvimento. Claro, uma das possíveis explicações para isso é que tal ação não existia, substituída pelas esperanças de que o mercado funcionasse por si mesmo. Homenagens filatélicas não aconteceram, pela razão de que não haveria mesmo o que homenagear.




Bibliografia:

CERVO, Amado Luiz, e BUENO, Clodoaldo. História da política exterior do Brasil. 3ª ed. ampliada. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2008. 559p. p457-462.

SOUZA, Helder Cyrelli de. Os Cartões de Visita do Estado: a emissão de selos postais e a Ditadura Militar Brasileira. Disponível em <http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/15006>. Acesso em 29 jun 2014.

domingo, 13 de abril de 2014

Fracassado Império – moedas da Itália fascista


Paulo Avelino

Tem o valor de uma lira e a cara do Rei – não por acaso parecendo um prócer do Império Romano. No verso figuram o escudo da Casa de Savóia, a águia, o fascio romano (feixe de madeiras) e o machado, além do nome “Itália”. Também a data de 1940 e o número romano XVIII – este rememorando o tempo em anos que se passou desde a Marcha dos Camisas Negras sobre Roma em 1922.

 
A moeda de 50 centesimi possui quase o mesmo – excetuando que data de 1941 e portanto o número é XIX. Ambas têm na frente o nome de Giuseppe Romagnoli, o escultor que as cunhou.

Não é minha intenção analisar de maneira completa essas duas moedas já antigas em minha coleção, mas revelar as histórias – de sangue, dor e coragem, e até de elegância, que existem em apenas uma palavra nelas cunhada.

Vittorio Emanuele III Re e Imp – diz a frente. Vítor Emanuel (1869-1947) era o Rei da Itália desde 1900. Mas a moeda também possui a abreviação “Imp” – Imperador.

Benito Mussolini agarrou o poder na tal Marcha e não mais o largou. Seus fascistas não acreditavam na democracia – mas acreditavam na expansão colonial sobre povos mais fracos. No ano de 1935 o fascismo atingiu o auge de sua popularidade. Aproveitando isso, Mussolini ordenou a invasão da Etiópia – um dos poucos países independentes da África.

Aos etíopes não faltou coragem – e sim armas e apoio. Ingleses e franceses pouco ou nada fizeram para conter esta violação ao Direito Internacional. Um apelo do Rei Hailé Selassié à Liga das Nações apenas expôs a fraqueza desta. Muitos dos soldados da Etiópia portavam lanças e fuzis velhos de quatro décadas contra as armas modernas do Estado fascista. A derrota foi inevitável e os italianos ocuparam o país.

No dia 9 de Maio de 1936 Mussolini declarou Vítor Emanuel III como “Imperador da Etiópia”.  Seu representante no local era o Vice-rei da África Oriental Italiana.

O Marechal Pietro Badoglio foi o primeiro deles. Fora embaixador da Itália no Brasil. Contra as leis internacionais, usou armas químicas contra os etíopes. O segundo foi o também Marechal Rodolfo Graziani. Alguns etíopes jogaram granadas contra ele. Atendido a tempo, salvou-se e ordenou o massacre conhecido na Etiópia como Yekatit 12 – no qual os italianos assassinaram cerca de trinta mil etíopes. Ganhou o apelido O Açougueiro.
Sucedeu-o Amedeo Umberto Isabella Luigi Filippo Maria Giuseppe Giovanni di Savoia-Aosta, o príncipe Amedeo, segundo Duque d´Aosta – o quintessencial aristocrata até na elegância com que aparece na foto. Coube-lhe ver a destruição do “Império”, invadido pelos ingleses em 1941. Amedeo era um cavalheiro. Até mesmo seu inimigo Hailé Selassié quis visitar sua viúva após a guerra, sendo dissuadido pelo novo governo italiano. O Duque morreu de tuberculose em um campo de prisioneiros.

Em 1943 o rei renunciou oficialmente ao título de Imperador. Restaram apenas algumas moedas, testemunhos da história.

Bibliografia:

Il Marengo. 50 centesimi 1939-1943. Disponível em <http://www.ilmarengo.com/italia/regno/50c1940.htm>. Acesso em 13 abr 2014.

Wikipedia en. Emperor_of_Ethiopia. Disponível em <http://en.wikipedia.org/wiki/Emperor_of_Ethiopia#Italian_conquest_of_Ethiopia>. Acesso em 13 abr 2014.

Wikipedia it. Giuseppe_Romagnoli Disponível em <http://it.wikipedia.org/wiki/Giuseppe_Romagnoli>. Acesso em 13 abr 2014.

Wikipedia it. Guerra_d'Etiopia. Disponível em <http://it.wikipedia.org/wiki/Guerra_d'Etiopia#La_proclamazione_dell.27Impero>. Acesso em 13 abr 2014.

Wikipedia en. Italian East Africa. Disponível em <http://en.wikipedia.org/wiki/Italian_East_Africa>. Acesso em 13 abr 2014.

Wikipedia en. Prince_Amedeo,_Duke_of_Aosta. Disponível em <http://en.wikipedia.org/wiki/Prince_Amedeo,_Duke_of_Aosta>. Acesso em 13 abr 2014.

Wikipedia en. Second_Italo-Abyssinian_War. Disponível em <http://en.wikipedia.org/wiki/Second_Italo-Abyssinian_War>. Acesso em 13 abr 2014.

Wikipedia en. Rodolfo_Graziani. Disponível em <http://en.wikipedia.org/wiki/Rodolfo_Graziani>. Acesso em 13 abr 2014.

Wikipedia en. Victor Emmanuel III of Italy. Disponível em <http://en.wikipedia.org/wiki/Victor_Emmanuel_III_of_Italy>. Acesso em 13 abr 2014.

Wikipedia en. Yekatit_12. Disponível em <http://en.wikipedia.org/wiki/Yekatit_12>. Acesso em 13 abr 2014.