segunda-feira, 15 de julho de 2024

Falido Império – a moeda francesa de 10 cêntimos de 1862

 Paulo Avelino

barbosa@paulo.avelino.nom.br


Napoleão III deixou pouco na imaginação popular: certa frase de Marx; o motivo da Cruz Vermelha; o envio de um austríaco para tomar o governo do México; a ideia de “América Latina”; a derrota e a jaula. E para mim o Império do sobrinho de Napoleão deixou uma moeda.

 Minha moeda da França de 10 cêntimos, de 1862, de Bronze, é tão castigada que mal dá para ver a efígie do auto-homenageado com o valor e o título “Napoleon III empereur” e na outra face a inscrição “Empire français” com a data e uma águia pousada em um poleiro do qual partem raios. Precisei colocar uma imagem tirada da internet junto com a foto da minha moeda para que ficasse mais visível. “Retrato de Dorian Gray” de quinta categoria, assim como tal quadro que envelheceu de mr. Gray essa moeda mostra as desventuras daquele que a mandou cunhar.

 Desventuras, claro, pagas por outros. Luís-Napoleão Bonaparte deu um golpe de estado em 1851 e se coroou Imperador. Marx lembrou do tiozão Napoleão e resmungou que a História não se repete, exceto na primeira vez como tragédia e na segunda como farsa. O barbudo como se sabe não era a mais bem-humorada das criaturas.

 


Quando a moeda de dez cêntimos foi cunhada a orgulhosa expressão “Império Francês” era cada vez mais uma realidade, à custa de guerras por cima de guerras. Declarou uma à Áustria, quando ocorreu a batalha de Solferino, espalhando feridos sem tratamento pelas aldeias vizinhas. O horror inspirou um engenheiro suíço que passava por lá chamado Henri Dunant a criar a Cruz Vermelha. Napoleão III não deixou nem o distante México sossegado: escolheu um príncipe austríaco chamado Maximiliano para governar um país que ambos só conheciam por mapas. O tal príncipe previsivelmente morreu fuzilado. E até que tentou fazer um bom governo, o infeliz.

 Aliás no contexto da desastrada invasão francesa do México que Napoleão III popularizou um conceito que utilizamos até hoje: o de que há uma América diferente dos EUA, uma América Católica e que fala línguas derivadas do latim: uma América Latina.

 Pode-se perguntar o que aconteceu com Napoleão III – como geralmente ocorre com os poderosos morreu na cama, na santa Paz de Deus. Não sem antes meter a França em mais uma guerra, dessa vez contra a Prússia, que reuniu todo o poderio dos estados em volta do Reno contra ele e o jogou numa jaula depois da derrota na batalha de Sedan – ao menos foi o que ficou na lenda, mas não encontrei nenhuma confirmação disso. Esses pequenos estados se reuniram sob a égide da Prússia e fundaram um novo país, a Alemanha.

 Quanto a mim, o sobrinho de Napoleão deixou uma desgastada moeda de 10 cêntimos com um Águia, raios e um sonho de Império, desastrado porém Império, de qualquer forma.


Imagens: da moeda – acervo próprio e https://www.cgbfr.com/dix-centimes-napoleon-iii-tete-lauree-1862-bordeaux-f-134-9-spl63,fmd_225288,a.html

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

18.º ENCONTRO DE MULTICOLECIONISMO DE FORTALEZA - A força do colecionismo cearense

 

Ultrapassando desafios e consolidando a marca de um promissor evento do calendário do colecionismo nacional, há exatamente um mês se encerrou a última edição do tradicional Encontro de Multicolecionismo de Fortaleza/CE que, em 2023, está celebrando seu 18.º aniversário.

Organizado pela SNFC, o evento ocorreu de 21 a 23 de setembro no Hotel Praia Centro, recebendo avaliações positivas de participantes e visitantes. Com essa edição, o Encontro de Multicolecionismo completa um importante ciclo e se solidifica como ponto de encontro da fina flor do colecionismo.

 

Entrada do evento.

A abertura do evento foi marcada pelo lançamento da folha de selos postais Moedas Brasileiras, com a presença da equipe dos Correios e cerimônia filatélica presidida pela Superintendente Estadual dos Correios no Ceará, a Sra. Iranilda Rufino da Costa.

 Sr. Carlos Henrique representando seu pai Flávio Rebouças.

Na ocasião, foram homenageadas pessoas ligadas ao mundo do colecionismo, incluindo a Sra. Vera Capelo, esposa do Sérgio Capelo, fundador do encontro; o Sr. Carlos Henrique, representando in memorian o Sr. Flávio Rebouças, ex-presidente da SNFC; e, finalmente o Sr. Salmito Filizola.