sábado, 13 de julho de 2019

Má Lembrança: o selo do Transkei de 1963



Paulo Avelino

Mostra um prédio contra um fundo verde, cercado por aura branca. De um lado a data (1963), do outro o valor (dois e meio centavos sul-africanos). Nos cantos de cima se posiciona o nome do Estado emissor, a República da África do Sul, em duas línguas, inglês e africâner.  Sóbrio, é dominado pelo nome Transkei, em geral desconhecido pelas gerações mais novas. E que encerra uma história de discriminação.

O Transkei estava destinado a ser um país nominalmente independente e naquele ano de 1963 se tornara região autônoma dentro do país-mãe, a África do Sul. O selo comemorava esse fato. Treze anos depois o Transkei adquiria sua independência.

Só que era tudo uma farsa. Que se encontrava em plano desde anos antes. Em 1948 o Partido Nacional voltou ao poder em eleições na África do Sul. Fanaticamente racista, aprofundou e criou um arsenal jurídico para a separação entre as raças e supremacia dos brancos do país. Estabeleceu leis proibindo casamentos entre pessoas de raças diferentes e obrigando a população a se registrar oficialmente de acordo com a raça. Parques, ônibus, hospitais, escolas e até bancos de praça passaram a ter avisos “só para brancos”. Era a política da segregação social radical, que passaria a ser conhecida pela palavra Apartheid.

O passo seguinte tentou separar as raças em regiões dentro do país. Para tanto dever-se-iam criar países, recortados do território da República. Esses países seriam destinados cada um a uma etnia. Transkei seria do povo xhosa, ao qual pertenceria Nelson Mandela. Esses países seriam conhecidos pelo nome de bantustões, hoje um qualificativo para independências falsas.

Pois os bantustões consistiam em formas de segregar o povo negro em certos territórios e tirar deles os direitos na África do Sul (pois lá eram oficialmente estrangeiros). Só que a pobre economia dos bantustões obrigava a população a trabalhar na África do Sul, enfrentando controles de fronteira e outras restrições. No caso do povo de Transkei, trabalhavam em minas no teoricamente país vizinho. Nenhum país do mundo jamais reconheceu a independência dos bantustões – só a África do Sul. Essas regiões autônomas, e depois denominados países, nunca tiveram autonomia real, não passando de marionetes dependentes da República Sul-Africana, apesar de uma ou outra rebeldia de algum dirigente.

A existência fictícia de Transkei e dos outros bantustões cessou em 1994, com o fim do regime de segregação racial, e não consta nenhum selo a marcar o seu fim, como esse pretendeu celebrar seu começo.

O selo retrata o parlamento de Transkei. Que se situava no edifício Bunga, construído décadas antes. Hoje tal prédio é o Museu Nacional Nelson Mandela. Uma construção que simbolizava a segregação entre raças hoje homenageia alguém cuja vida consistiu em construir a igualdade entre elas. Mais que boa ironia, pode ser um sinal de que a sociedade para mudar para melhor – desde que haja vontade para tanto.


domingo, 9 de setembro de 2018

SNFC RECEBEU LÚCIA TAVARES PARA FALAR DA ARTE E PROCESSAMENTO DO SELO.




Na manhã de domingo, 17 de agosto, a SNFC(Sociedade Numismática e Filatélica Cearense), recebeu a presença ilustre da artista plástica Lúcia Tavares. A artista aceitou o convite para falar sobre o processo da construção  selo, arte e sua finalidade, e peculiaridades, os caminhos de um belo processo visual.

Lucia Tavares que é cearense, mas que por anos residiu no rio de janeiro , lugar e marco inicial de sua carreira na produção artística dos selos no Brasil.Foram mais de 30 obras para filatelia brasileira,uma artista sensível , de multi construções temáticas. entre um dos mais emblemáticos, o selo em comemoração ao voo do concorde no rio de janeiro.

A sua arte contextualizada para o selo não foi aprovada, mas contemplado a outro colega de trabalho posteriormente, o que lhe coube também a muitos questionamentos sobre o futuro da nova era filatélica, agora mais informatizada, mais célere, mas menos minucioso do processo artístico.


Lúcia Tavares respondeu a alguns indagações de sócios e colecionadores presentes, e posteriormente a sociedade celebrou o encontro com um café da manha aos presentes no evento.







na foto Lucia Tavares exibe o belíssimo selo que não foi aprovado pelos correios.

sábado, 30 de junho de 2018

Invencível Vietnã: O Selo da Alemanha Oriental de 1969



Paulo Avelino

Unbesiegbares Vietnam – Invencível Vietnã (de 1969) faz parte de uma série de oito selos emitidos pela extinta DDR regularmente entre 1966 e 1973, com uma última emissão se dando em 1979. (DDR – Deutsche Demokratische Republik – a República Democrática Alemã). O emaranhado geopolítico mundial dos anos sessenta e setenta ocasionou esta pequena peça.

Tem fundo violeta com uma mancha esbranquiçada no meio. Significativa mancha – como uma luz de esperança a surgir. Na frente e emoldurado por ela, um casal, de feições orientais. Não por acaso, o ilustrador escolheu o amarelo como cor de seus rostos e da maior parte de seus corpos e roupas. Há outra cor – um azul militar. Como militar é a marcha decidida do casal, os fuzis que carregam pelas bandoleiras e os cinturões com caixas de munição. Têm mãos dadas, em afeto e em companheirismo bélico. Os cabelos dela esvoaçam, a sugerir o vento da luta ou da libertação. Ele usa um chapéu típico camponês.

Econômico em inscrições, como se a figura por si só já bastasse, o selo tem apenas o seu nome (Unbesiegbares Vietnam), a sigla do país emissor (DDR) e um valor um tanto incomum de 10 + 5. A moeda da DDR era o Marco, dividido em 100 Pfennig. Trata-se de um selo cujo uso implicava em doação. O valor de franquia era de 10 Pfennig, e 5 iam para doação.

A República Democrática Alemã principiou a série Invencível Vietnã em 1966. Seguiu-se uma emissão em 1968 e a partir daí em todos os anos até 1973. As próprias datas marcam o desenvolvimento da guerra que então se desenvolvia naquele país oriental. O Vietnã se via intermitentemente em guerra desde 1945, quando as tropas invasoras japonesas deixaram o país. Primeiro contra os franceses, depois em guerra interna. O país se encontrava dividido, em Vietnã do Norte, apoiado pelo bloco socialista, e Vietnã do Sul, capitalista. Dentro deste último ocorria a insurgência comunista, os chamados Vietcongs, fortemente apoiados pelo norte.

Gradualmente os Estados Unidos se envolveram em apoio ao Sul. Em 1965 o governo estadunidense começou uma campanha de bombardeios contra o Vietnã do Norte e a escalada do número de soldados dos EUA em combate. Observe-se que é apenas depois desta escalada que principia a série de selos. Em 1973 o Acordo de Paris entre os Estados Unidos e o Vietnã do Norte encerrou o envolvimento direto daquele primeiro país na guerra. Significativamente a última emissão regular se deu naquele ano. A guerra se encerrou em 1975 com a Vitória do Vietcong e do Vietnã do Norte.

No princípio de 1979 forças chinesas invadiram o Vietnã, agora reunificado. Depois de penetrarem em vários setores da fronteira, os chineses se retiraram semanas depois. Pode-se imaginar que foi esta a razão de uma última emissão de selos da série, em 1979. Principalmente se lembrarmos que a DDR era aliada da União Soviética, então rival da China.

O selo Vietnã Invencível de 1969 ilustra como os selos podem ser uma decorrência direta da geopolítica dos países.






sexta-feira, 20 de abril de 2018

SNFC RECEBE VERIDIANA BRASILEIRO NO CENTRO DE FORTALEZA.



Um dia nostálgico, assim se resume a ida de Veridiana Brasileiro neste domingo, dia 22 de abril no Parque das Crianças em Fortaleza a partir das 09 hora da manhã.

Ainda antes de saber sua profissão, otorrinolaringologista, Veridiana Brasileiro se apaixonou por colecionismo, e são muitas as coleções com o passar do tempo.

Começou na filatelia aos 15 anos, quando se associou aos Correios, e passou a se integrar nos encontros no Parque das Crianças e na EMCETUR aos domingos. Aí vieram moedas, canetas, cartões postais e brinquedos da década de 90. Mas foi nos últimos dez anos que sua paixão tomou uma direção maior, ganhou rumo e notoriedade, até conseguir um espaço no Museu do Ceará,  em exposição temporária, com sua coleção de mais de 250 obras de arte, das várias releituras do quadro de Monalisa, obra original do pintor renascentista italiano, Leonardo da Vinci.

A paixão veio também com fuscas, um dos carros mais emblemático da era automobilística. A otorrinolaringologista e colecionadora Veridiana Brasileiro se junta a muitos aficionados no Brasil com acervos particulares e de grande valia cultural, como as multicoleções de Ricardo Brennant, em Pernambuco, e Joseph Safra, em São Paulo.

O espaço no Parque das Crianças que receberá a colecionadora, é aberto ao público em geral , e o encontro começa as 09h da manhã com dirigentes da Sociedade Numismática e Filatélica Cearense presentes no local.






(fotos: acervo pessoal )


                                     



sábado, 10 de março de 2018

BAZAR DE MARÇO SERÁ REALIZADO NESTE DOMINGO NO PARQUE DAS CRIANÇAS


São as águas de março esquentando o verão.O trecho da música de Tom Jobim, na voz de Elis Regina é um clichê pra chegada desse mês.
E o mês de março será esquentado pelo bazar de multicolecionismo no Parque das Crianças, no centro de Fortaleza, dia 11 de março de 2018.

O bazar acontece no segundo domingo de cada mês,uma oportunidade de adquirir um item importante pra coleção filatélica e numismática
entre outros. 

De moedas e selos do império, a
rádios e utensílios da década de 50 e 60.
É um momento de encontro de colecionadores 
e comerciantes do ramo da filatelia da numismática.

Amanhã também acontecerá uma homenagem
aos filatelistas, solenidade alusiva ao dia do
filatelista dia 05 de março.Haverá um café
receptivo, e homenagens aos colecionadores.
O evento incia as 09h da manha, e é aberto ao
público.

quinta-feira, 1 de março de 2018

LEILÃO DE MARÇO TEM DATA CONFIRMADA NESTE DOMINGO.


A data de mais um leilão para movimentar os encontros da Sociedade Numismática e Filatélica Cearense, está confirmada para este domingo, dia 04 de março de 2018,  no Parque das Crianças, em Fortaleza.Será também o primeiro leilão da nova diretoria que exercerá o triênio 2018/2020.

O leilão que dará início as 10h a.m, e serão colocados para arremate 30 peças da numismática e notafília brasileira e universal.

Podem participar associados, e os visitantes poderão 
com antecedência, dar conhecimento a diretoria para
participar dos arremates do leiloeiro.

Vale lembrar que os leilões ocorrem há anos, todo primeiro domingo de início
do mês. Para mais informações entrar em contato com a secretaria da sociedade pelo telefone (85)98550-0992

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

PREFEITURA DE FORTALEZA FIRMA ACORDO COM A SOCIEDADE NUMISMÁTICA E FILATÉLICA CEARENSE.


Nessa última sexta feira, dia 23 de fevereiro de 2018, à Prefeitura Municipal de Fortaleza, através do coordenador de rede física da Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos,Bruno Ximenes, assinou acordo com a Sociedade Numismática e Filatélica Cearense, dando cessão de uso do anexo no Parque das Crianças em Fortaleza, local de encontro de sócios e visitantes há mais de 30 anos.Com o acordo assinado, a sociedade garante um espaço a mais com acesso ao banheiros nas manhãs de domingo.








                                                                                                                                                             Foto: Flávio Brasil